segunda-feira, 24 de março de 2008

Mistérios do universo

Ai meninas, as vezes eu me pego questionando coisas piegas, tipo “de onde viemos?”, “pra onde vamos?”, essas coisas. Durante essa última semana eu percebi o quão inútil é saber essas coisas se não tivermos idéia de “Por que, cargas d´água, as pessoas mais insuportáveis e as situações mais absurdas têm que acontecer sempre com a gente?”.

Como todos sabem, eu estava no maior frio do mundo semana passada. Passei por coisas ridículas e constrangedoras, como ficar com o nariz escorrendo em um jantar chiquérrimo, em um lugar super bacana, mas depois do que vou relatar aqui isso se tornou “nada”.

Pra vir de Salt Lake até São Paulo, fiz escala em Dallas e passei cerca de 3 horas panguando sem ter o que fazer até chegar a hora do embarque. Tudo corria como o previsto até que começo a ouvir histórias mirabolantes, saindo da boca de alguém com a voz mais insuportável que eu já tinha ouvido.

Até aí, ok! Até pensei que tinha muita sorte de estar ao lado da minha coleguinha na viagem de volta pq voltar no mesmo assento que aquela senhora não rolava. Pois é, eu me precipitei em comemorar! É claro que minha amiga estava do outro lado do corredor; e a personificação do inferno, bem do meu ladinho.

Tão logo sentamos ela começou a me mostrar que suas mãos estavam tremendo. Dei um sorriso e não liguei muito (e venho a público dizer que isso foi um erro tremendo. Essas pessoas não gostam de ser ignoradas). A partir daí ela quis me explicar o motivo da tremedeira e, para isso, precisou me contar sua vida toda.

Sem brincadeira, ela levou 10 horas fazendo isso. Exatamente o tempo da viagem. Não vou detalhar tudo a vcs por motivos óbvios, mas há coisas que toda a humanidade deve saber.

Pra começar: existe, sim, uma família em que as filhas se chamam Geórgia e Georgete; e os filhos, Matias e Mateus. É claro que é a família da minha companheira de viagem! Companheira que me contou que seus filhos foram tentar a vida nos EUA. Um tempo depois que se estabeleceram, ela foi visitá-los.

Palavras dela: “Minha filha, eu vim passar um mês aqui na América. Acredita que três dias depois que eu vim meu marido já arrumou outra?”. Pensei em responder que eu dava total razão a ele, mas achei que não convinha entrar nesse mérito – e isso foi muito sábio de minha parte.

Foi então que ela me contou que voltando pra ca, tentou se matar diversas vezes, mas como não deu certo, ela passou a achar que é imortal. Sim, eu ouvi alguém tentando me convencer de que era imortal! Após todas essas tentativas de suicídio suas mãos ficaram trêmulas e georgete nunca mais perdoou o pai. Esse fato tbm a traumatizou em relação aos EUA e ela voltou pro Brasil.

Mesmo assim, as duas sempre viajam pra visitar os parentes na “Terra das oportunidades”. E, em uma das vezes, minha vizinha de assento se recusou a pagar excesso de bagagem. Isso, simplesmente, ela se recusou. Não a deixaram embarcar e então ela se jogou no chão, ajoelhou, implorou. Mesmo assim, nada.

Foi então que ela resolveu processar a American Airlines. Procurou um advogado americano e ele se recusou a aceitar o processo – pra mim estava claro que é pq iam perder; mas minha amiga não teve essa percepção. Para ela, ele estava mancomunado com a cia aérea. Sabe o que ela está fazendo agora? Processando o advogado!!!!!

Mas não sabe se tudo isso vai dar certo pq georgete resolveu se casar e seu marido lhe roubou tudo e sumiu. Agora estão todos sem dinheiro.

Duas considerações:
1 – ele não sumiu! Pra mim, ele se auto-indenizou e se mandou.
2 – toda vez que ela falava de alguma filha, dizia: “ai, pq minha daughter..”... Sim, ela usava a palavra daughter, a única que sabe em inglês.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sabe, Ariel, eu costumava ser bem alvo deste tipo sou-vítima-do-universo. É insuportável. Essas pessoas gostam de problemas para poder ter o contar aos outros: seus problemas. O ideal é fingir que não tá ouvindo, mas, dentro de um avião, como fugir???

Quarteto de 4

Quarteto de 4